Enquanto ainda não voltamos para a estrada, não vamos deixar esse blog parado..
Todos estão acompanhando boquiabertos o horror da tragédia em Santa Cararina. Ficamos perplexos quando percebemos que não somos criaturas assim tão fortes.

Manipulamos e abusamos da natureza como deuses e quando ela nos mostra onde está nosso limite, ficamos chocados, porque pensamos não ter limites.
Vivi uma história que ilustra bem essa situação. Passamos o carnaval desse ano em uma fazenda em Jabocatubas, MG. Como a casa não comportava todo mundo, armamos barracas na varanda. Nossa barraca foi uma das primeiras a ser armada, em um cantinho especial. Em pouco tempo, toda a varanda estava ocupada de barracas.
Com o passar dos dias, percebemos um incoveniente: a barraca estava sobre um formigueiro! Um formigueiro bem na fenda entre a parede o o chão… típico de lugares raramente frequentados como era o caso da velha fazenda. Formigas entravam e saíam o tempo todo da barraca, vasculhando nosso espaço. Mas já era bem tarde, o máximo de espaço que tínhamos era para nos afasatar um pouco para o lado, mas elas continuavam ali, curiosas como sempre…
Reclamamos? Muito! Quanto azar!
Mais tarde, desligados do problema, jogávamos cartas com os amigos quando uma tempestade começou. Distraídos, quando percebemos, toda a varanda estava coberta de água! Subimos nas mesas e cadeiras. A água começou a arrastar as barracas e seus donos tiveram de sair correndo para socorrer seus pertences.
Uma única barraca não se molhou, claro. Certamente, pela geografia do lugar baixo e cercado de morros, uma enxurrada como aquela seria bastante comum, era o único caminho para o escoamento da água. Mas as formigas sabiam onde construir sua casa. E lá estávamos nós, salvos como elas no único lugar que a água não alcançou.
Bem, muito embora não estaríamos a salvo em uma enchente como a que estamos vendo, o pequeno incidente mostra que precisamos aprender a nos aliar à natureza, em vez de tentar moldá-la ao nosso favor. Eu não matei aquelas formigas e elas me mostraram que possuíam um conhecimento além do meu. Se tívessemos observado bem as marcas de água nas paredes da varanda, veríamos qual era o único local seguro, como elas viram.
O meu protesto sobre mudança de paradigma também segue um exemplo muito simples. Quando minha mãe mandou cortar um imenso e velho pé de abacate em nossa casa, eu questionei tal ato de destruir a única sombra que tínhamos. Ela disse que em toda época de frutos eles caíam sobre o telhado e ameaçavam quebrá-lo e que não adiantava podar os galhos que cresciam na direção do teto, eles voltariam a crescer…
Preciso dizer mais? Esta tem sido a solução da humanidade: se está atrapalhando, manda matar…
Bem, a natureza sabe dar seu troco…

Fotos: Blumenau
dayene oliveira, 27 de novembro de 2008